
Aurora
Por Zero, ilustração de Suélen Brito.
Jamais perder de vista que hoje pode ser o último dia de nossas vidas
Jamais perder de vista que hojetudo pode ser pela última vez
Fazer desse próximo dia uma obra de arte
Faz a Terra girar por mais novos instantes
E não há lugar mais perfeito que estar no centro do peito
Dançar é esperançar no quilombo da alma
Da vida semeadora de pluralidades
Correremos de braços abertos como crianças sem jaulas
Sem temer a vulnerabilidade de ser bolha de sabão
Brincando da dissolução do tempo
em sonetos corriqueiros docemente selvagens
E quem sabe abraçar a vida, como um relâmpago abraça o chão!
E tocar alto nosso maracatu os decibéis que perfuram a surdez dos
privilégios
Jamais me acostumar a andar pelas ruas como se todos fossem estranhos
Quero romper a barreiras da distância com um abraço de olhar
Não pedimos mais remédios
Se não o Sol na ponta de nossos pincéis
Pintar a nossa vida como obra de arte
vai nos curar do mal de ser mecânico
Deixem os robôs serem robôs
Vamos amar do meio dia a meia noite
Da meia noite ao sol nascente
Nós deleitarmos como a coragem
De um cavalo mais veloz que o próprio medo
Semear silêncios e sorrisos entre os canteiros de girassóis
Nosso corpo é terra onde dançam multidões de deuses e deusas
Nosso corpo é terra onde dançam multidões de infinitos



