Do Sol, do sal, de Sá…

Por Zero

 

Eu lhe desejo eternamente os olhos de um recém nascido

Para que a vida 

jamais desencante, sacralidade é poder se encantar com orvalhos, olhares são altares 

 

Menina pássara abre as asas, as aspas, a mata e o rabo da arraia

Arrebois! Mil cores de arrebois! Artista da vida, pinta as catedrais do teu destino na 

luz da graça do teu corpo oracular, o amor cura o trauma

 

Entoa a toada do todo no pião do menino 

sou todas as vidas na gira de uma vida só

O Silêncio é o ventre entre os ventos, vazio parteiro de tudo

Das montanhas do Himalaia ao Morro da Rocinha

E eu que não sou a prova de balas, morro todos os dias com jovens da 

periferia

 

Desarmar armaduras, amar feito amora

Lambuzar-se de mares de cores de vida

As cigarras ciganam encatarias, vi o céu bater nas asas de um besouro

Se a vida é o bem mais precioso, o que é que te faz se abandonar? 

 

Dentro de um segundo mora o embrião dos séculos

Vi oceano inteiro escorrer em uma lágrima

É preciso coragem para abrir caminhos 

E nos lábios a oração dos mel das flores

Dançar com os corpos livres de bombas

A idade de uma samaúma

E nossas ganas afiadas aonde a onça afia a unha 

 

Liberdade faz de mim sua terra arada

Seu perfume raro de roseira, rasga o tempo em atemporalidadesMe afogar na fonte do seu rio, oxigena o vento no meu peito

Feito faca abrir olhos no céu

Que choram de chover poesia

Da façanha feroz felicidade

Me invade de sol, selvagem seiva

Avassaladora é tua ternura,

Que nos queima em fogo e coragem 

 

Essa eu escrevi para quem está com o coração cansado e já perdeu o 

motivo de viver 

Que esses versos possam lembrar que sua vida muito importante 

 

Dançar com trovões trotar no ar dos tons das borboletas

Do infravermelho ao ultravioleta

É a serpente de escamas do arco-íris.

Faz pérolas da pele em cicatrizes

Coletivizar os sonhos. Regenerar Relações

Toda vida é sagrada

Do ovário da flor ao crepúsculo dos tataranetos

Nosso sangue é sol, suor e ferro

dos trilhos dos trens da revolução

Brilho alto a estrela de Aldebaran 

 

Não almejo ser o melhor

Nem ao menos especial

Me basta ser comum unidade

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